Índice de Exposição Quântica (IEQ).

Um score de 0 a 100 que mede exposição ao risco harvest-now-decrypt-later — com base formal publicada e revisão por pares em andamento.

O que o IEQ mede

O Índice de Exposição Quântica (IEQ) quantifica, por organização, a exposição ao risco harvest-now-decrypt-later (HNDL): tráfego criptografado capturado hoje pode ser armazenado e decifrado no futuro, quando um computador quântico criptograficamente relevante existir. O IEQ não mede se sua cifra é quebrável hoje — mede quão urgente é migrar, dado o tempo de vida do seu dado e o horizonte de ameaça do seu setor.

O score combina três dimensões observáveis publicamente: Vulnerabilidade (V), a fração da superfície criptográfica que usa algoritmos quebráveis pelo algoritmo de Shor (RSA, ECDH, ECDSA, DSA); Exposição (E), o quanto essa superfície é alcançável por um adversário externo; e Timeline (H), a urgência temporal dada pelo horizonte de ameaça e o tempo de vida do dado.

Por que multiplicar, não somar

Frameworks de score aditivos assumem compensabilidade plena: um déficit numa dimensão é compensado por um excedente em outra. Sob o modelo HNDL, vulnerabilidade e exposição são complementos, não substitutos. Uma organização com criptografia totalmente vulnerável, mas sem exposição externa, não pode ser atacada por HNDL. Uma organização totalmente exposta, mas sem criptografia vulnerável, não tem nada para um adversário decifrar. As duas condições precisam existir ao mesmo tempo.

Formalizamos essa estrutura como uma disputa entre dois processos de taxa constante — o ataque tentando explorar o dado antes que ele perca valor, a defesa tentando neutralizá-lo antes disso (por expiração do dado, rotação de chaves, remediação criptográfica). A probabilidade de comprometimento resultante tem a forma

P_HNDL = H · (VᵃEᵇ) / (VᵃEᵇ + θ),

onde θ é a razão entre a intensidade de defesa e a de ataque. Provamos formalmente que nenhum score aditivo ou ordinal reproduz essa estrutura de interação: a derivada cruzada ∂²(ln P)/∂(ln V)∂(ln E) é estritamente negativa para quaisquer V, E, θ finitos e positivos — as elasticidades de V e E dependem de onde a organização está no plano vulnerabilidade-exposição, não são pesos fixos globais.

Dualidade de regime

Quando VᵃEᵇ é muito menor que θ (defesa domina), as elasticidades se aproximam dos seus valores máximos: o score é maximamente sensível a mudanças em V e em E. Quando VᵃEᵇ é muito maior que θ (ataque domina), ambas as elasticidades se aproximam de zero e o score satura — reduzir V ou E marginalmente já rende retornos decrescentes.

A consequência prática é direta: organizações com exposição atual mais baixa têm o maior ganho marginal ao migrar cedo. Migrar enquanto ainda se está no regime de alta sensibilidade produz o maior retorno por unidade de esforço.

M — o multiplicador de governança

O score final aplica um multiplicador M ≥ 1 sobre fatores qualitativos de risco não capturados por V e E — por exemplo, ausência de inventário criptográfico ou não conformidade regulatória. O IEQ publicado é 100 · min(1, H · Vᵝ · Eᵞ · M), com β e γ as elasticidades endógenas derivadas da forma estrutural.

O que o IEQ não é

O IEQ é um índice de priorização operacional, derivado de uma aproximação log-linear local à probabilidade de comprometimento — não uma probabilidade calibrada globalmente, nem um substituto para auditoria técnica individual. Nenhuma tentativa de exploração é realizada: a coleta se limita a sinais públicos (DNS, TLS, PQC readiness, headers HTTP, tecnologias expostas).