Recorte setorial
Indústria: o cofre pode ser bom. O problema é quando ele precisa falar.
O cofre protege o segredo guardado; quando ele circula, quem protege é a criptografia. Um recorte das 14.958 indústrias da base do IEQ mostra a postura criptográfica pública do setor e por que, no modelo, o dado industrial vale por mais tempo.
Um segredo industrial pode estar guardado num cofre excelente. Mas um projeto que nunca sai do cofre não vira produto. Ele vai para o fornecedor que fabrica a peça, para a outra planta, para o parceiro que certifica. O cofre protege o segredo guardado. Quando ele circula, quem o protege é a criptografia, e o tráfego copiado hoje pode ser lido daqui a alguns anos.
Neste recorte, a GWK examina a postura criptográfica pública dos domínios principais de 14.958 organizações industriais. Em 82% delas, o teste não negociou troca de chaves híbrida pós-quântica, e o modelo atribui ao dado industrial um dos horizontes de valor mais longos da base.
Esta análise olha o recorte industrial da base do IEQ como setor, não empresa por empresa. Usa apenas o que o IEQ observa de fora e diz, a cada passo, o que é medição e o que é premissa do modelo. Nenhuma organização é citada.
Por que olhar a indústria
A indústria é o maior setor da base: 14.958 organizações, cerca de 19% das 80.182 da edição atual. Ainda assim, a conversa pública sobre a transição pós-quântica costuma se concentrar em bancos e governos.
As análises anteriores mostraram que o tempo de valor da informação muda a leitura dos mesmos sinais técnicos. A indústria é onde esse efeito aparece com mais nitidez fora dos setores habituais: sua superfície técnica se parece com a dos demais, enquanto seu dado vive muito mais do que no varejo ou no software.
Três condições para o risco existir
Capturar agora e decifrar depois só vira problema quando três coisas acontecem ao mesmo tempo. O IEQ observa a primeira, aproxima a segunda e assume a terceira.
- 01ObservadoA conexão negocia uma troca de chaves que um computador quântico suficientemente capaz poderia quebrar. Isso é lido diretamente no handshake TLS público.
- 02AproximadoUm adversário consegue alcançar e guardar esse tráfego. O IEQ não observa captura. Mede a exposição operacional da superfície pública (dimensão E) como indicação de quão alcançável ela é.
- 03PremissaA informação ainda tem valor quando a decifração se torna possível. Isso é um parâmetro setorial documentado, não uma medição do dado de cada empresa.
Toda leitura desta análise se refere à superfície pública do domínio principal de cada organização. Rede interna, sistemas de controle industrial, VPNs e conexões com fornecedores estão fora da medição.
O relógio do dado
O IEQ atribui a cada setor um horizonte de tempo, TD: por quantos anos a informação representativa daquele setor continua valiosa para um adversário. Para a indústria o parâmetro é de 15 anos, dentro de uma faixa documentada de 10 a 20. O modelo usa o prazo de 20 anos de proteção de patentes como referência para o teto.
O varejo trabalha com 5 anos, finanças com 10, saúde e governo com 20. Combinado ao cenário de capacidade do modelo, o horizonte industrial se traduz em H = 0,88, contra 0,21 no varejo.
Por quanto tempo o dado vale, por setor.
TD em anos. O mesmo valor vale para todas as organizações do setor.
Fonte: premissas setoriais do IEQ V2 (mediana do ativo representativo). São premissas documentadas, não medições de quanto tempo o dado de cada empresa permanece sigiloso.
A indústria na base
No lado técnico, a indústria se parece com a base como um todo. A mediana da vulnerabilidade criptográfica, V, é 0,9971, contra 0,9985 na base; a mediana da exposição operacional, E, é 0,5286, contra 0,5270.
O índice conta outra história. O IEQ mediano da indústria é 87,5, com metade do setor entre 83,1 e 89,9. A mediana da base é 59,5. A indústria fica logo abaixo dos setores com horizonte de 20 anos e bem acima de finanças.
Superfície parecida, índice mais alto.
IEQ mediano por setor, de 0 a 100.
Consultar os valores e o tamanho das coortes
| Setor | Organizações | V | E | TD | H | IEQ |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Governo | 7.203 | 0,9985 | 0,5190 | 20 | 0,9559 | 98,1 |
| Saúde | 10.495 | 0,9971 | 0,5254 | 20 | 0,9559 | 94,8 |
| Defesa | 1.252 | 0,9971 | 0,5344 | 20 | 0,9559 | 94,6 |
| Imobiliário | 2.395 | 0,9971 | 0,5384 | 20 | 0,9181 | 92,7 |
| Indústria | 14.958 | 0,9971 | 0,5286 | 15 | 0,8784 | 87,5 |
| Energia | 3.421 | 0,9985 | 0,5246 | 10 | 0,7066 | 70,3 |
| Finanças | 7.574 | 0,9985 | 0,5098 | 10 | 0,6591 | 66,3 |
| Telecom | 2.417 | 1,0000 | 0,5324 | 6 | 0,4453 | 45,1 |
| SaaS | 8.236 | 0,9985 | 0,5224 | 6 | 0,3409 | 34,7 |
| Varejo | 14.107 | 0,9971 | 0,5376 | 5 | 0,2111 | 21,8 |
Fonte: base IEQ V2, edição de 7 de outubro de 2026. Dez setores selecionados, todos acima do piso de anonimato (K = 30).
A indústria combina medianas técnicas próximas às da base com IEQ mediano de 87,5. No modelo, a prioridade também depende do tempo durante o qual a informação permanece valiosa, fixado em 15 anos para o setor.
O que vemos de fora e o que fica embaixo
Entre as 13.657 organizações industriais em que a coleta obteve leitura, 11.165 (81,8%) não negociaram troca de chaves híbrida pós-quântica no teste. Na base, a proporção é de 80,7%. Dito de outro modo, quase uma em cada cinco negociou esse tipo de troca no teste.
As práticas básicas acompanham a base de perto. A diferença mais clara é o HSTS, ausente em 57,8% da indústria, contra 53,9% na base. TLS 1.0 ou 1.1 ainda é aceito por 13,9%; essa leitura tem cobertura menor, porque protocolos antigos nem sempre podem ser testados.
A indústria acompanha a base, com diferenças pequenas.
Criptografia em uso
% das organizações em que o sinal foi observado
Práticas básicas
% das organizações em que o sinal foi observado
Consultar contagens e cobertura
| Sinal | Observadas | Com o sinal | Indústria | Base |
|---|---|---|---|---|
| Não negociou troca híbrida pós-quântica no teste | 13.657 | 11.165 | 81,8% | 80,7% |
| Cifras com troca de chaves clássica quebrável por algoritmo quântico | 13.622 | 11.180 | 82,1% | 84,1% |
| Aceita TLS 1.0 ou 1.1 | 10.442 | 1.455 | 13,9% | 13,1% |
| Sem HSTS | 13.403 | 7.746 | 57,8% | 53,9% |
| Sem DNSSEC | 14.804 | 14.036 | 94,8% | 93,7% |
| Sem registro CAA | 14.887 | 12.654 | 85,0% | 81,8% |
| Certificado autoassinado | 13.083 | 46 | 0,4% | 0,3% |
Fonte: base IEQ V2, mesma edição. Cada percentual conta só as organizações em que aquele sinal foi lido; as que ficaram sem leitura saem do numerador e do denominador.
A ponta do iceberg
A borda pública é a parte que se observa de fora. É a ponta. Embaixo estão as VPNs com fornecedores, o acesso remoto para manutenção, os links entre plantas, os serviços de troca de arquivos e a rede de fábrica. De fora, o IEQ não os vê, não sabe que informação de fato passa pela superfície observada e não sabe se alguém a capturou. Também lê só o domínio principal, não cada subsidiária ou marca.
Se a ponta já mostra esse quadro, o resto merece ser olhado. Com autorização da organização, a mesma medição pode rodar dentro do seu ambiente, nos canais que de fato carregam projetos e contratos, e ler a parte do iceberg que não aparece de fora.
Para levar à próxima reunião de segurança
Quatro perguntas que todo gestor industrial deveria saber responder
Um relógio de dado longo não pede uma tecnologia diferente. Pede outra ordem de prioridades. Estas perguntas a organizam:
- Quais projetos, formulações, dados de processo e contratos continuarão sensíveis daqui a dez ou quinze anos, e por quais canais trafegam hoje?
- Os fornecedores de borda à frente desses canais (CDN, balanceador, VPN) já oferecem troca de chaves híbrida pós-quântica, e ela está ligada?
- O básico de baixo custo está feito: TLS legado desligado, HSTS ativo, certificados emitidos sob uma política declarada?
- O plano de migração ordena os sistemas pelo tempo de vida do dado que carregam, e não só pela criticidade atual do sistema?
Alguma delas ficou sem resposta clara? É por aí que começa uma avaliação autorizada.
Falar com a GWKMétodo e fontes
Uma edição, uma base de referência.
Os números vêm da edição de 7 de outubro de 2026 da base IEQ V2, com 80.182 organizações. A unidade é a organização, observada pelo seu domínio principal. Coortes abaixo de K = 30 não são publicadas. Esta edição conserva os dados utilizados, independentemente de atualizações posteriores do catálogo.
Observado: os sinais da Figura 03 e as dimensões V e E. Assumido: o horizonte setorial TD e o parâmetro H dele derivado. Quando um sinal não tem leitura para uma organização, ele não conta nos percentuais acima; no índice, entra com valor neutro. O IEQ é um índice de exposição: seus valores não são probabilidades de ataque. O modelo não está calibrado contra ocorrências confirmadas de exploração HNDL.
Encontrou algo a corrigir? Escreva para [email protected]. Correções entram numa nova edição, com data.
Abaixo da ponta
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